Instituto da PSP

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Fraco Bom  

Polícias pedem ao ministro da Administração Interna para encerrar o Instituto da PSP. Formação polémica de oficiais e contenção de despesas fundamentam pedido. Exigida a demissão do director nacional.

A Federação Nacional dos Sindicatos de Polícia (Fenpol) da PSP vai solicitar ao ministro da Administração Interna, numa reunião prevista para segunda-feira, que extinga o Instituto Superior da Polícia, em Lisboa. A medida visa, de acordo com o presidente da estrutura sindical, Pedro Magrinho, “reduzir custos, evitando a duplicação de cargos e funções” e também “criar condições para que, a médio prazo, seja possível ter na PSP oficiais de carreira aproveitando as suas licenciaturas”.

De acordo com Pedro Magrinho, os efectivos que actualmente frequentam o Instituto, em Alcântara, deveriam ser integrados na Escola Prática da Polícia (EPP), em Torres Novas. “A escola possui condições mais do que suficientes. Bem melhores do que as do instituto. Passaria a funcionar em duas vertentes: uma para ministrar formação superior, a mesma que agora é dada no Instituto, e a segunda seria a da formação técnica e profissional, destinada a agentes e chefes”, acrescentou.

Actualmente, existem cerca de 200 alunos no instituto (frequentam cursos de cinco anos) cuja formação custa ao Estado, em média, cerca de 190 mil euros. “Só o facto de se promover a passagem dos alunos do instituto para Torres Novas faria com que vários postos de chefia fossem abolidos e, em consequência, se reduzissem custos”, afirma o presidente da Fenpol, que entende ainda que o modelo em vigor para formação de oficiais “serve para alimentar lobbies” e “não oferece perspectivas de futuro”.

“Com a formação dos oficiais em Torres Novas passaria a privilegiar-se a progressão na carreira profissional e acabava-se com a actual onda de desmotivação. Seria um primeiro passo para que a PSP, até numa perspectiva de racionalizar meios, desse hipótese às centenas de polícias formados existentes nos seus quadros de ascenderem a oficiais”. De acordo com o sindicalista, “muitos polícias com licenciaturas pagas do próprio bolso são totalmente desaproveitados”. “Há muitos polícias licenciados em áreas importantes e fundamentais, como são o Direito, a Gestão, a Psicologia e a Sociologia, que estão impedidos de progredir na carreira. A quem não é dada a possibilidade de ascender ao oficialato. É por causa de situações como essa que há anos apareciam 15 mil candidatos a polícias e agora surgem apenas 2 mil”, afirma.

Pedro Magrinho diz ainda, tal como já o fez o presidente da Associação Sindical dos Oficiais de Polícia, Hélder Andrade, que a política da Direcção Nacional da PSP na colocação de oficiais está a gerar mau-estar. “Oficiais sem experiência alguma, com 22 ou 23 anos, acabados de sair do instituto, estão a ser colocados em postos de chefia operacionais, retirandose dessas mesmas áreas oficiais experientes e em perfeitas condições para actuarem nas zonas mais problemáticas. Esses oficiais estão a ser encostados, colocados em áreas administrativas.”

Na segunda-feira, quando do encontro com o ministro Miguel Macedo, a delegação da Fenpol vai, tal como já o fizeram outros sindicatos policiais já recebidos, pedir a demissão do director nacional da PSP, superintendente-chefe Guedes da Silva. A nãoaplicação do estatuto profissional, o facto de os polícias não estarem colocados correctamente na nova tabela remuneratória ou a não-devolução do dinheiro do fundo de fardamento são alguns dos assuntos que mais descontentamento têm gerado.

In: ASJP.